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  • Novo mínimo reduz poder de compra da população

  • O reajuste do salário mínimo nacional que entrou em vigor segunda-feira (1°) resultará em perda do poder de compra para o consumidor brasileiro, conforme a análise de economistas. O valor teve a menor variação desde o início do Plano Real, em 1994. O decreto assinado pelo presidente Michel Temer (PMDB) no último dia 29 fixou o novo salário mínimo em R$ 954, quantia 1,81% superior aos R$ 937 de 2017.
    A variação equivale a R$ 17 a mais no bolso do beneficiário. Aproximadamente 45 milhões de pessoas no País recebem o salário mínimo, o que inclui aposentados e pensionistas pagos pelo governo federal.
    CÁLCULO
    Segundo o governo, o reajuste acompanha o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que alcançou alta de 1,8% no acumulado do ano até novembro, e o PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos antes — que foi negativo. “O salário mínimo basicamente está definido por lei. A questão é apenas como calcular exatamente a aplicação dos índices de inflação”, defendeu o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.
    Se o INPC se mantiver em um percentual próximo no acumulado até dezembro, o salário mínimo não terá aumento real. Nos últimos dez anos, o benefício já chegou a crescer 2,61% a mais que a inflação, em 2015, 8,05%, em 2012 e 5,57%, em 2010 e 2009.
    Para o economista Marco Aurélio Barbosa de Souza, mesmo com o ritmo reduzido da inflação em 2017 (o INPC até novembro também foi o menor da série histórica do Real), o brasileiro perdeu capacidade de compra com o reajuste do salário mínimo em 2017.
    “Quando o aumento não supera a inflação, isso representa uma queda no poder aquisitivo das famílias”, afirma o economista. Souza considera o valor de R$ 954 insuficiente para o orçamento do beneficiário. “Só alimentação, serviços de água e luz já praticamente absorvem a totalidade desse valor”, destaca.
    Na avaliação do economista, será mais difícil para famílias de baixa renda contar com uma sobra de recursos para investir em outras atividades que não o essencial, como lazer.
    PONTA DO LÁPIS
    “Vai precisar de um cuidado ainda maior na hora de fazer compras, no sentido de levar tudo na ponta do lápis, fazer pesquisas. O ano vai ser mais apertado”, afirma Souza. O economista Claudilei Rodrigues da Rocha acredita que apesar de a inflação estar controlada, o aumento não é adequado para as famílias e não estimulará as finanças do País.
    “Esse valor de R$ 17 a mais por beneficiário tem um impacto muito baixo na economia e não ajuda as pessoas. É irrisório”, afirma. Ele acredita que é difícil fechar as contas para quem depende do salário de R$ 954. “Só mesmo com milagre uma pessoa que recebe o salário mínimo consegue.” De acordo com Rocha, idosos deverão ter as maiores dificuldades, por consumirem mais bens em farmácias. Ele destaca que serviços essenciais com grande impacto no orçamento familiar subiram mais do que o reajuste do salário mínimo.
    Contudo, o economista considera que o governo teria dificuldades para dar um reajuste maior ao valor, levando a situação do País. “O único impacto positivo desse reajuste reduzido é para a esfera governamental, que terá um valor a desembolsar menor em termos de folha de pagamento.”
    Parte dos gastos subiu mais do que o piso nacional
    Embora inflação em supermercados tenha caído em 2017, o custo do morador de Araçatuba com outros serviços básicos cresceu mais do que o reajuste do salário mínimo determinado pelo governo federal para 2018.
    De acordo com a Apas (Associação Paulista de Supermercados), o IPS (Índice de Preços dos Supermercados), calculado pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) registrou uma queda de 2,04% no acumulado do ano até novembro. Os alimentos ficaram 3,43% mais baratos nos supermercados paulistas, no mesmo período, de acordo com o levantamento.
    Por outro lado, a gasolina foi um dos itens com alta de preço que superou a alta da inflação. O valor médio do combustível em Araçatuba subiu de R$ 3,805, o litro, verificado em pesquisa da Folha da Região em 26 de dezembro de 2016, para R$ 4,024, conforme pesquisa da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) feita em 20 de dezembro de 2017. A alta é de 5,7%. Já o valor do litro do etanol na cidade recuou 3%: de R$ 2,777 para R$ 2,692.
    Do terceiro trimestre até dezembro do ano passado, valor mínimo de um botijão de gás de cozinha de 13 quilos se elevou de R$ 45, de acordo com pesquisa da Folha da Região feita em 21 de março de 2017, para R$ 60, no último dia 20, de acordo com a ANP. O incremento foi de 33,3%. Já o valor máximo do GLP (Gás Liquefeito de Petróleo) avançou de R$ 60 para R$ 70, no mesmo período, com encarecimento de 16,6%.
    O ajuste da tarifa de água ainda para 2018 ainda não foi divulgada, porém a última alta do serviço de fornecimento de água e coleta, afastamento e tratamento de esgoto oferecido pela Samar (Soluções Ambientais de Araçatuba) foi de 6,2881%, sendo esta a revisão tarifária válida entre 1° de março de 2017 e 28 de fevereiro deste ano, segundo o Daea (Departamento de Água e Esgoto de Araçatuba).
    As contas da energia elétrica residencial ficaram, em média, 13,99% mais caras em todo País, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), com base no INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) acumulado de janeiro a novembro de 2017. Contudo, a CPFL Paulista, responsável pelo serviço em Araçatuba, informa que a partir de 8 de abril de 2017, houve redução de 9,62% na variação média de energia.
    Para sindicato, impacto no comércio deverá ser baixo
    Para o presidente do Sincomércio (Sindicato do Comércio Varejista de Araçatuba e Região), Gener Silva, o impacto da elevação do salário mínimo em 2018 no varejo da região será muito baixo. “O aumento deverá ser suficiente apenas para recompor o valor corroído pela inflação ao longo de 2017, não devendo, portanto, ter nenhum impacto sobre o consumo varejista na região.”
    Para ele, o reajuste, um dos menores já concedidos, fará uma recomposição parcial da deterioração da alta dos preços verificada no período. Silva acredita que a injeção de R$ 17 a mais na renda do beneficiário não possibilita um aquecimento nas compras. “O montante a ser pago para os trabalhadores na ativa e para os aposentados vai, portanto, ser igual aquele recebido em 2017, sem nenhum acréscimo real. Com isso, não se terá nenhuma margem para elevação de consumo por esse contingente que receberá o novo valor do salário mínimo.”











    Fonte:Folha da Região